sábado, 10 de março de 2012

Fotos raríssimas e tudo sobre a vida e morte de Lampião Virgulino o rei do cangaço

Cabeças dos cangaceiros expostas em Santana do Ipanema/AL
Fonte: Livro " Lampião e as Cabeças Cortadas, pg. 204, Antonio Amaury e Luiz Ruben.

A direita Benjamin fazendo anotações. Foto: Benjamin Abrahão, 1936.
 Foto: Benjamin Abrahão, 1936.
Nessa foto podemos ver toda beleza de Maria
Foto: Benjamin Abrahão, 1936.
Foto capa do livro  De Virgolino a Lampião 


Cangaceiros Vila  Nova e Pancada capturados pela pela volante 
                                          
             


                    Nós já mudamos três vezes para fugir das rechas dos nossos perseguidores. Saímos de Passagem das Pedras, de Poço do do Negro e de Olhos de Água. O pior perdemos mãe, perdemos pai. Então quem não tiver coragem acompanhe João com os meninos, porque de hoje em diante eu vou matar até morrer.
                       Frase dita por Virgolino depois das mortes de sua mãe e seu pai, divisor de águas na vida de Virgolino que passaria dali em diante a ser o cangaceiro mas amado e odiado do sertão brasileiro.  
Sinhõ Pereira ano 1970
Sinhõ Pereira foi a maior influencia na vida de Lampião e por ele nutria o maior respeito, aprendeu muito sobre a vida e o que significava ser um cangaceiro, certa vez  depois de alguns anos e já conhecido como Lampião o maior cangaceiro da historia declarou que se um dia Sinhõ Pereira voltasse ao cangaço ele ,Lampião teria o maior prazer de servir novamente como seu cabra. 
Seu apelido era Lampião porque durante uma troca de tiros um dos cabras deixou cair algum objeto no chão ele atirava tão rápido e intermitente que clareava e dizia:
-Acende lampião! Acende lampião! Acende Lampião vai cabra procura, procura.
Ouviram e começaram a chama-lo de Lampião. 
Água Branca cidade que tinha uma baronesa muito rica e afamada pois toda sua família eram ricos e influentes, alguns faziam parte da politica, e ninguém acreditava que Lampião com o seu bando invadiriam uma cidade com uma ilustre moradora e governanta pois ela era muito influente e comandava toda a região do seu palacete. Seria muito atrevimento, pois isso aconteceu ás 4h horas da  madruga do dia 26 de Junho de 1922. Levaram ate um cordão de ouro puro de tres metros de comprimento e muito dinheiro. segundo o Jornal Pedra de Alagoas a baronesa e todos os que estavam no palacete sairão sem um arranhão 

Lampião e Juriti 
Corisco e Dadá a mais brava e valente das cangaceiras 

Ezequié e Virgilio 

Família Ferreira, Virgulino o primeiro a direita 
Zé Rufino e sua volante 
     
Cangaceiros capturados Vinte e Cinco no centro sentado 
                     
Cabeça de Zepelim, cangaceiro morto e decapitado pela voltante em 1937  
 Jornalista e pesquisadora Vera Ferreira, neta de Virgulino Ferreira da Silva - Lampião e Maria Bonita,, Vera Ferreira, que é jornalista e pesquisadora, com larga experiência em produção de filmes e televisões, fez um relato daquilo que ela, como membro da família de Lampião e Maria Bonita, próxima e conhecedora de alguns membros do bando de cangaceiros e cangaceiras de Lampião, conseguiu colher em depoimentos e relatos de pessoas que viveram e assistiram os acontecimentos da saga contada de várias maneiras por inúmeras gerações de brasileiros, em casa, na escola, na Universidade e em vários centros de cultura do país.

“Lembro-me perfeitamente quando eu e minha mãe nos encontramos com os primeiros cangaceiros em São Paulo. Dadá, Criança, Zé Sereno, Cida e Dulce, estavam todos numa sala e mostraram-se muito respeito pela minha mãe. Todos eles choraram quando viram minha mãe. Aquilo ficou marcado e a partir daquele dia, eu disse em uma entrevista para o jornal Folha de S. Paulo que faria um trabalho sobre meus avós”, complementou a palestrante.
                                             
Essa senhora coitada foi uma dentre muitas marcadas com ferro em brasa pelo cangaceiro Zé Baiano.
Esse Zé Baiano foi talvez um dos mais cruéis cangaceiros, ele era temido por ser muito sanguinário e violento ele ferrava as suas vitimas ate se ela tivessem o cabelo cortado ou se usassem saias acima dos joelhos ou se tivesse a fama de rameira. A historia diz que ele matou a sua companheira a cangaceira Lídia a pauladas e fez a sua cova e a enterrou e foi chorar a sua morte em cima da cova. Motivo segundo a historia Lídia tinha lhe traído. 

Lampião - Virgulino - Cangaço - Fora da Lei - Mito


                 
Foto: Benjamin Abrahão, 1936.
Benjamin Abrhaão 1936
                   
Uma bebida sendo servida ao capitão Virgulino Foto: Benjamin Abrahão  1936                                      
Simulação de combate Benjamin Abrrhão 1936

O cangaço no Nordeste

Ao lado de Canudos e Contestado, outro fenômeno característico da época foi o banditismo social. Em sua forma característica, ele surgiu no nordeste brasileiro e ficou conhecido como cangaço. Suas primeiras manifestações ocorreram por volta de 1870 e perduraram até 1940.
O banditismo social não foi um fenômeno exclusivamente brasileiro. Ele apareceu em muitas regiões do mundo que tinham características semelhante às do nordeste brasileiro, como na Sicília (Itália), Ucrânia e na América Espanhola. Em grande parte, o banditismo social foi, como Canudos e o Contestado, uma reação do tradicionalismo rural ao avanço do capitalismo.
O bandido social diferia do bandido comum por sua origem. Em geral, tornava-se um "fora-da-lei" como resposta às injustiças e perseguição pela comunidade, que, não raro, engrandecia seus feitos de coragem e valentia. Apesar disso, diferentemente do revolucionário, o bandido social não era necessariamente contra os dominantes, nem era portador de projetos de transformação social. O seu prestígio vinha do fato de apresentar-se como porta-voz de resistência de um mundo em dissolução.
                                       
Esse é o Zé Saturnino o primeiro inimigo dos Ferreira 

Origem do cangaço

Desde o século XVIII, com o deslocamento do centro dinâmico da economia para o sul do Brasil, as desigualdades sociais do nordeste se agravaram. Entretanto, no sertão, onde predominava a pecuária, consolidou-se uma forma peculiar de relação entre grandes proprietários e seus vaqueiros. Entre eles, estabeleceram-se laços de compadrio (tornavam-se compadres), cuja base era a relação de fidelidade do vaqueiro ao fazendeiro, com este dando proteção em troca da disponibilidade daquele em defender, de armas nas mãos, os interesses do seu patrão.
Os conflitos eram constantes, devido à imprecisão dos limites geográficos entre as fazendas e às rivalidades políticas, transformadas em verdadeiras guerra entre poderosas famílias. Cada uma destas fazia-se cercar de jagunços (capangas do senhor) e de cabras (trabalhadores que ajudavam na defesa ), formando verdadeiros exércitos particulares.
Nos últimos anos do Império, depois da grande seca de 1877-1879, com o agravamento da miséria e da violência, começaram a surgir os primeiros bandos armados independentes do controle dos grandes fazendeiros. Por essa época ficaram famosos os bandos de Inocêncio Vermelho e de João Calangro.
Contudo, somente na República o cangaço ganhou a forma conhecida, com Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Que aterrorizou o nordeste de 1920 a 1938. Havia uma razão para esse fato. Com a proclamação da República em 1889, implanta-se no Brasil o regime federalista, que concedeu uma ampla autonomia às províncias, fortalecendo as oligarquias regionais. O poder dessas oligarquias regionais de coronéis se fortaleceu ainda mais com a política dos governadores iniciada por Campos Sales (1899-1902). O poder de cada coronel era medido pelo número de aliados que tinha e pelo tamanho de seu exército particular de jagunços.
Esse fenômeno era comum a todo o Brasil, mas nos estados mais pobres, como Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, os coronéis não eram suficientemente ricos e poderosos para impedir a formação de bandos armados independentes. Foi nesse ambiente que nasceu e prosperou o bando de Lampião, por volta de 1920, coincidindo o seu surgimento com a crise da República Velha. Depois da morte de Lampião, em 1938, nenhum outro bando veio ocupar o seu lugar. Com o fim da República Velha em 1930, encerrava-se também a era do cangaço.

Lampião 
Cangaceiro pernambucano (1900-1938). Virgulino Ferreira da Silva nasce em Vila Bela, atual Serra Talhada. Começa a agir em 1916, depois que a perseguição de sua família por um coronel da região resulta na morte de seus pais. Foge para o sertão e junta-se a um grupo de cangaceiros. Seu bando obtém fama pela crueldade e violência de suas ações. Virgulino ganha o apelido de Lampião por se gabar dos clarões - "tal qual um lampião" - provocados por sua espingarda nos enfrentamentos com a polícia. Conhecido também como Rei do cangaço, atua principalmente no sertão de Sergipe e da Bahia. Na época da Coluna Prestes é convidado pelo Padre Cícero para ajudar o governo no combate aos revoltosos . Aceita o convite e aproveita a oportunidade para melhor armar seu bando. Em 1929 conhece Maria Bonita , que se integra ao grupo e lhe dá uma filha, Maria Expedita. Em julho de 1938, seu bando é surpreendido.
Cangaço
Lampião é o número 1, por uma tropa volante no sertão de Sergipe. Morrem 11 cangaceiros, entre eles Lampião e Maria Bonita. Suas cabeças são cortadas e, por quase 30 anos, conservadas no Museu da Faculdade de Medicina da Bahia.
Fonte: members.tripod.com
Cangaço                                  
Há vários anos o Nordeste do Brasil viveu momentos difíceis, atemorizado por grupo de homens que espalhava o terror por onde andava. Eram os cangaceiros, bandidos que abraçaram a vida nômade e irregular de malfeitores por motivos diversos. Alguns deles foram impelidos pelo despotismo de homens poderosos.
Os cangaceiros - História do cangaço 
Este foi o caso do mais conhecido dos cangaceiros, o "Lampião", que cometeu o seu primeiro assassinato para vingar a morte do pai, vitima de um crime político.
Os cangaceiros conseguiram dominar o sertão durante muito tempo, porque eram protegidos de "coronéis", que os utilizavam para conseguir seus torpes objetivos pessoais.
Cangaço
Lampião, o cangaço e os cangaceiros 
A vida do cangaço encontra-se focalizada em várias obras de nossa literatura, como "O Cabeleira", romance de Franklin Távora, e "Lampião", drama de Raquel de Queirós. O cinema nacional também se valeu, várias vezes, do sugestivo tema, sendo " O Cangaceiro" o filme que maior sucesso alcançou no exterior.

Lampião, um Líder Nato. Por: Cesar Megale

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Olho no Olho...
 por Cesar Megale.
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Carlos Megale entre João de Sousa e Rubinho Lima

Lampião era um lider nato e sabia como ninguém, aglutinar em volta de si, os mais perigosos cangaceiros. Muito esperto, perspicaz e inteligente, ele era a cabeça pensante que movia o cangaço. Todos o respeitavam pelo poder de liderança que ele tinha.

A maior prova disto, é que depois de sua morte em Angico, seus subgrupos vagaram sem rumo e sem guarida pela caatinga. Sem a presença do grande chefe, muitos foram mortos, presos e a maioria se entregou a policia nos meses seguintes. É dificil saber qual foi o cangaceiro mais valente. Para ser um valente, uma pessoa precisa antes de tudo, ter valor, força, ser enérgico e corajoso.

Como os cangaceiros agiam em bandos e muitas vezes sob o efeito de bebidas alcoolicas, fica dificil saber quem realmentereunia todas as qualidades para ser um verdadeiro valente.

Lampião em algumas ocasiões - como por exemplo em Queimadas - foi desafiado e não ousou lutar com o soldado que o desafiou...Jararaca por sua vez, ao perceber que seria morto ao chegar ao cemitério de Mossoró, manteve a altivez diante da morte e em momento algum lamentou sua sorte ou implorou pela vida...Zé Baiano ao ser dominado e vendo que ia ser morto, implorou pela vida e ofereceu dinheiro para ser poupado pelos seus algozes...são dois comportamentos completamente diferentes... analisando por este prisma,podemos afirmar que Jararaca foi muito mais valente e corajoso que Zé Baiano...


A relação entre Lampião e Corisco era de respeito. Não acredito que um confiasse no outro, ao ponto de confiar-lhe a propria vida. Naquele meio em que viviam, todos confiavam desconfiando e Lampião não confiava plenamente em ninguém. É dificil avaliar se Corisco estivesse em Angico a história seria diferente. Como o grande trunfo das volantes em Angico foi o fator surpresa, quando muitos cangaceiros ainda estavam deitados dormindo e outros despertando sonolentos e sem reflexos, acredito que a presença do Diabo Loiro não faria muita diferença.

Sobre Angico, tudo já foi exaustivamente pesquisado e dissecado. Não existe mais nenhum segredo a ser desvendado.
                                                       

O Memorial da Resistência localizado em Mossoró no Rio Grande do Norte é um museu que retrata a história da única cidade nordestina a resistir à invasão do bando de Lampião.

O que acontece é que muitas pessoas não conseguem separar os depoimentos verdadeiros dos fantasiosos e, preferem acreditar em "mistérios". Nem todos conseguem entender o que aconteceu em Angico em toda a sua dimensão.

Para concluir, em minha ótica, Virgolino Ferreira da Silva, o famoso Lampião, era um cangaceiro e consequentemente um bandido, um fora da lei. Apesar de tudo de mal que fez, tornou-se um mito popular e hoje faz parte da cultura nordestina.

Um abraço aos amigos do Cariri Cangaço.

Carlos César de Miranda Megale
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Lampião

Ambição, Injustiça, Violência, Traição e Morte... 





    Nascido em 1898, no Sítio Passagem das Pedras, em Serra Talhada, Pernambuco, Virgulino Ferreira da Silva viria a transformar-se no mais lendário fora-da-lei do Brasil. O cangaço nasceu no Nordeste em meados do século 18, através de José Gomes, conhecido como Cabeleira, mas só iria se tornar mais conhecido, como movimento marginal e até dando margem a amplos estudos sociais, após o surgimento, em 1920, do cangaçeiro Lampião, ou seja, o próprio Virgulino Ferreira da Silva. Ele entrou para o cangaço junto com três irmãos, após o assassinato do pai. 
  Com 1,79m de altura, cabelos longos, forte e muito inteligente, logo Virgulino começou a sobressair-se no mundo do cangaço, acabou formando seu próprio bando e tornou-se símbolo e lenda das histórias do cangaço. Tem muitas lendas a respeito do apelido Lampião, mas a mais divulgada é que alguns companheiros ao ver o cano do fuzil de Virgulino até vermelho, após tantos tiros trocados com a volante (polícia), disseram que parecia um lampião. E o apelido ficou e o jovem Virgulino transformou-se em Lampião, o Rei do Cangaço. Mas ele gostava mesmo era de ser chamado de Capitão Virgulino. 
  Lampião era praticamente cego do olho direito, que fôra atingido por um espinho, num breve descuido de Lampião, quando andava pelas caatingas, e ele também mancava, segundo um dos seus muitos historiadores, por conta de um tiro que levou no pé direito. Destemido, comandava invasões a sítios, fazendas e até cidades. Dinheiro, prataria, animais, jóias e quaisquer objetos de valor eram levados pelo bando. "Eles ficavam com o suficiente para manter o grupo por alguns dias e dividiam o restante com as famílias pobres do lugar", diz o historiador Anildomá Souza. Essa atitude, no entanto, não era puramente assistencialismo. Dessa forma, Lampião conquistava a simpatia e o apoio das comunidades e ainda conseguia aliados. 
  Os ataques do rei do cangaço às fazendas de cana-de-açúcar levaram produtores e governos estaduais a investir em grupos militares e paramilitares. A situação chegou a tal ponto que, em agosto de 1930, o Governo da Bahia espalhou um cartaz oferecendo uma recompensa de 50 contos de réis para quem entregasse, "de qualquer modo, o famigerado bandido". "Seria algo como 200 mil reais hoje em dia", estima o historiador Frederico Pernambucano de Mello. Foram necessários oito anos de perseguições e confrontos pela caatinga até que Lampião e seu bando fossem mortos. Mas as histórias e curiosidades sobre essa fascinante figura continuam vivas. 
  Uma delas faz referência ao respeito e zelo que Lampião tinha pelos mais velhos e pelos pobres. Conta-se que, certa noite, os cangaceiros nômades pararam para jantar e pernoitar num pequeno sítio - como geralmente faziam. Um dos homens do bando queria comer carne e a dona da casa, uma senhora de mais de 80 anos, tinha preparado um ensopado de galinha. O sujeito saiu e voltou com uma cabra morta nos braços. "Tá aqui. Matei essa cabra. Agora, a senhora pode cozinhar pra mim", disse. A velhinha, chorando, contou que só tinha aquela cabra e que era dela que tirava o leite dos três netos. Sem tirar os olhos do prato, Lampião ordenou ao sujeito: "Pague a cabra da mulher". O outro, contrariado, jogou algumas moedas na mesa: "Isso pra mim é esmola", disse. Ao que Lampião retrucou: "Agora pague a cabra, sujeito". "Mas, Lampião, eu já paguei". "Não. Aquilo, como você disse, era uma esmola. Agora, pague." 
  Criado com mais sete irmãos - três mulheres e quatro homens -, Lampião sabia ler e escrever, tocava sanfona, fazia poesias, usava perfume francês, costurava e era habilidoso com o couro. "Era ele quem fazia os próprios chapéus e alpercatas", conta Anildomá Souza. Enfeitar roupas, chapéus e até armas com espelhos, moedas de ouro, estrelas e medalhas foi invenção de Lampião. O uso de anéis, luvas e perneiras também. Armas, cantis e acessórios eram transpassados pelo pescoço. Daí o nome cangaço, que vem de canga, peça de madeira utilizada para prender o boi ao carro. 
  Em 1927, após uma malograda tentativa de invadir a cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, Lampião e seu bando fugiram para a região que fica entre os estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Bahia. O objetivo era usar, a favor do grupo, a legislação da época, que proibia a polícia de um estado de agir além de suas fronteiras. Assim, Lampião circulava pelos quatro estados, de acordo com a aproximação das forças policiais. 
Numa dessas fugas, foi para o Raso da Catarina, na Bahia, região onde a caatinga é uma das mais secas e inóspitas do Brasil. Em suas andanças, chegou ao povoado de Santa Brígida, onde vivia Maria Bonita, a primeira mulher a fazer parte de um grupo de cangaceiros. A novidade abriu espaço para que outras mulheres fossem aceitas no bando e outros casais surgiram, como Corisco e Dadá e Zé Sereno e Sila. Mas nenhum tornou-se tão célebre quanto Lampião e Maria Bonita, que em algumas narrativas é chamada de Rainha do Sertão. 
  Da união dos dois, nasceu Expedita Ferreira, filha única do lendário casal. Logo que nasceu, foi entregue pelo pai a um casal que já tinha onze filhos. Durante os cinco anos e nove meses que viveu até a morte dos pais, só foi visitada por Lampião e Maria Bonita três vezes. "Eu tinha muito medo das roupas e das armas", conta. "Mas meu pai era carinhoso e sempre me colocava sentada no colo pra conversar comigo", lembra dona Expedita, hoje com 75 anos e vivendo em Aracaju, capital de Sergipe, Estado onde seus pais foram mortos.
  Na madrugada de 28 de julho de 1938, o sol ainda não tinha nascido quando os estampidos ecoaram na Grota do Angico, na margem sergipana do Rio São Francisco. Depois de uma longa noite de tocaia, 48 soldados da polícia de Alagoas avançaram contra um bando de 35 cangaceiros. Apanhados de surpresa - muitos ainda dormiam -, os bandidos não tiveram chance. Combateram por apenas 15 minutos. Entre os onze mortos, o mais temido personagem que já cruzou os sertões do Nordeste: Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião. 


Mesmo após mais de 70 anos depois da sua morte, Virgulino Ferreira da Silva, aquele menino do sertão nordestino que se transformou no temido Lampião, ainda não foi esquecido. E sua extraordinária história leva a crer que nunca o será.  Matéria baseada na edição 135 da revista Os Caminhos da Terra, por David Santos Jr. e em relatos de Gervásio Aristides da Silva (Pernambuco), Rosalvo Joaquim (Sergipe) E Lampião, Rei do Cangaço, de Eduardo Barbosa (fotos).

Dadá nasceu em Bélem de São francisco em Pernambuco teve 7 filhos no cangaço ela era responsável pelos ornamentos das roupas que foram criados por ela. 

Ezequiel e Virgilio 
Maria Bonita 
O repórter e Lampião almoçando. Foto supostamente tirada por Juriti, Benjamin Abrahão, 1936.
Cangaceiros  almoçando . Foto: Benjamin Abrahão, 1936.
As cangaceiras. Foto: Benjamin Abrahão, 1936.
 Corisco, o "Diabo Loiro", com outro cangaceiro talvez o sabonete  

Na foto: Benjamin Abrahão,Maria Bonita e Lampião  1936. Essas fotos levantaram grande suspeita do estado novo contra o Benjamin Abrahão. Morreu de forma misteriosa levando 42 sangradas ou punhaladas em 1938 com 37 anos.

Ambição, Injustiça, Violência, Traição e Morte... 
  Lampião teve um processo tramitando na justiça de Pernambuco por quase 70 anos, onde ele e seu bando eram acusados da morte de 3 pessoas em 1925. O processo foi instaurado em 1928 e, mesmo após a morte do Rei do Cangaço, não foi julgado, extinto ou arquivado.   E o processo, por mais incrível que possa parecer, mostrando o quanto é complicado o labirinto do nosso Judiciário, continuou aberto no fórum de Flores, cidade próxima a Serra Talhada, onde nasceu Lampião. De acordo com o juiz da cidade, na época, não foram apresentados os atestados de óbito dos réus, como exige a lei. (Isso é que é seguir um manual! - NE).
 Somente em 1997, 69 anos após a abertura do processo, o juiz Clóvis Mendes, de Serra Talhada, julgou a prescrição da ação  com base no fim do prazo legal de 20 anos...Então, finalmente, o processo contra Lampião e seu bando foi arquivado! Se estivesse vivo, o capitão Virgulino certamente diria: " A justiça (dos homens) tarda...e falha!"   Lampião e Maria Bonita tiveram uma filha, Expedita, que lhes deu 3 netos: Cleyse Mary, Djair e Vera Lucia, a jornalista que já há anos vem lutando para preservar a memória dos avós e corrigir algumas injustiças feitas aos dois, diante de tantas lendas surgidas sobre os dois, sobrepujando os fatos. Os dados e fotos dos netos (ainda crianças), constam do livro Lampião, Rei do Cangaço, de Eduardo Barbosa, de onde foram extraidas algumas das fotos mostradas aqui.
  Lampião teve três irmãos ao lado dele no cangaço: Antonio, Livino e Ezequiel, de apelido Pente Fino. Todos os três morreram antes de Lampião, em combate com as volantes.
 O primeiro a rotular Maria Bonita como a Rainha do Cangaço, foi o cangaceiro e cantador Zabelê, do bando de Lampião, claro. Zabelê sobreviveu à emboscada  de Angicos (veja abaixo porque) e ainda escreveu um livro sobre Lampião.
  Como escrevi acima, as lendas sobrepujaram até o próprio Rei do Cangaço. Verdade ou não, elas ficaram, recheando a verdadeira história de Lampião com fatos engraçados e muitas versam também sobre o lado justiceiro de Lampião. Além da história da cabra da velhinha, na página anterior, tem também a do sal, que é meio semelhante: Lampião e seu bando foram acolhidos por uma senhora, também de idade avançada, e ele pediu a ela para preparar um jantar para o bando. A velhinha, não tendo quase nada em casa, teve que fazer um caldeirão de sopa às pressas para os famintos cangaceiros. Com a pressa e o medo, ela acabou esquecendo de colocar sal na sopa...
 A sopa foi servida e todos começaram a sorvê-la, sem problemas, mas um dos cabras, novato no bando, para talvez fazer bonito diante de Lampião ou por idiotice mesmo, começou a gritar com a pobre velha sobre a falta de sal. Lampião terminou sua sopa sem nada dizer. Depois, tranquilamente, perguntou ao bando se alguém sentiu falta de sal. Exceto o tal reclamante, o restante, que não era besta, disse que não, que a sopa estava ótima!   Então Lampião perguntou à velhinha se tinha mais sal em casa. Ela disse que sim e ele então mandou ela trazer um quilo! Ela correu a obedecer. Quando veio com o sal, Lampião mandou ela despejá-lo no prato do sujeito que havia reclamado, e ordenou: - Você reclamou da falta de sal, cabra, pois agora tem aí bastante sal, e você vai comê-lo até limpar o prato!
  Apesar dos lamentos do homem, Lampião o obrigou a comer todo o sal do prato e, quando ele pedia água, Lampião não deixava que ele bebesse. E assim foi. Quando o cangaçeiro, até verde de tanto comer sal, sentindo suas entranhas em brasa, terminou, Lampião o expulsou, mandando que o mesmo sumisse de sua frente, ameaçando que, se o encontrasse novamente, iria sangrá-lo. É claro que o tal sumiu até hoje...Saindo da casa, já um pouco distante, Lampião parou, olhou para trás, coçou a cabeça e comentou com um cangaçeiro próximo a ele: - E num é que aquela sopa tava uma disgraçeira de insôssa? - E o cabra ao seu lado, concordou imediatamente: - Tumém achei, capitão. Tumém achei...
  Já do apelido Lampião, tem a lenda narrada na página anterior e uma outra que é sobre uma noite em que Virgulino (que ainda não era Lampião) e seu bando estavam numa bodega (tipo de hospedaria à beira da estrada), e um dos homens deixou cair o cigarro. O vento havia apagado o candieiro, então Virgulino falou que ia disparar seu fuzil para fazer um clarão, até o sujeito achar o cigarro. E a cada tiro que dava, ele gritava: acende, lampião! Acende, lampião! E assim surgiu o famoso e temido apelido.
  Os grandes chefes de cangaceiros, antes de Virgulino entrar no cangaço, eram: Antonio Quelé, Casemiro Honório, Né Pereira e Antonio Silvino, foi nos bandos destes últimos que Virgulino iniciou-se na senda de crimes.
  Abraão Benjamim, judeu ou árabe naturalizado brasileiro, o autor Eduardo Barbosa não especifica. No livro ele é chamado de Turcão, o que torna mais difícil saber sua descendência. Ele foi o primeiro e último homem a filmar Lampião. Ele acompanhou os cangaceiros durante 6 meses, nos acampamentos e nas batalhas com as volantes, e são da autoria dele o filme real sobre Lampião e centenas de fotos do cangaçeiro, de Maria Bonita e do bando. Benjamim foi assassinado logo após esse trabalho de grande valor jornalístico, com 52 facadas em Vila Bela, por desafetos de Lampião.
  Zabelê, sanfoneiro e repentista oficial do bando, disse em depoimento que foi o próprio Lampião quem fez a letra e música de Mulher Rendeira.
  Lampião reinou absoluto no cangaço nordestino por 20 anos. E mesmo antes de ser enganado pelas autoridades, recebendo a patente de capitão e a garantia de anistia para ele e todo o bando, para enfrentar a Coluna Prestes, fato que foi testemunhado pelo seu próprio padrinho o Padre Cícero Romão, outra lenda do Nordeste, sempre manteve um status quo de comandante de um exército. Seu bando, composto por mais de 100 homens, tinha um tipo de “estado-maior”, formado pelos homens de mais confiança. Então, normalmente, para confundir as volantes, Lampião dividia o bando em 3 grupos, sendo um liderado por ele próprio e os outros 2, pelos seus “lugares-tenentes”. Foi por causa dessa estratégia que alguns do bando escaparam à emboscada em Angicos, como Zabelê e Corisco, chamado também de Diabo Loiro, que segundo autores de relatos sobre o cangaço, foi quem vingou a morte de Lampião. Corisco foi morto pelas volantes 2 anos depois.
  Mas, assim como Napoleão, que errou na estratégia da guerra por não contar com os elementos da natureza e Hitler, que sacrificou boa parte de seus homens por não contar em sua estratégia de dominação com as geladas estepes russas, Lampião também, apesar de usar estratégias de guerrilha, errou ao armar acampamento numa ravina e sem colocar sentinelas. Esse foi seu grande erro em Angicos.
  Também, ao que parece uma sina de todo grande guerreiro, o fator traição pesou mais que tudo. Zumbi foi traído e morto; Tiradentes foi traído e morto; Beckman foi traído e morto; Zapata, herói mexicano, foi traído e morto; o rei Leônidas, de Esparta, foi traído e morto; Jesse James, traído e morto; e Lampião, como que fechando a sina, em 1938, é traido e morto.
  Nos registros sobre os pertences de Lampião, feitos pela polícia militar de Alagoas, consta a famigerada pistola Parabellum, alemã, 9mm, fabricada em 1918, número de série 97. 
  Através de um exame de DNA realizado nos EUA, foi descoberto em 1994 o segundo filho de Lampião e Maria Bonita. Trata-se de João Ferreira da Silva, conhecido por João Peitudo, 62 anos, que morreu de morte natural no dia 26 de junho de 2000,  em Juazeiro do Norte, a 563 quilômetros de Fortaleza. 
 O filho de Lampião deixou cinco filhos, mas apenas um (Francisco Ferreira da Silva), morava com ele no bairro Pirajá, em Juazeiro. Os outros quatro residem em São Paulo. 
Nascido em 1938, segundo a mídia, João Peitudo foi deixado com 42 dias de vida na casa de dona Aurora da Conceição, em Juazeiro, durante a passagem do bando de Lampião pela região do Cariri. Lampião furou as orelhas do filho com um punhal com o objetivo de deixar uma marca para reconhecê-lo quando voltasse para pegar. Nunca retornou. João Peitudo era funcionário aposentado da Prefeitura de Juazeiro. Com a morte de João Peitudo, a única herdeira viva de Lampião é Expedita Ferreira Nunes, filha do casal de cangaceiros, e que mora em Sergipe. 

Mais trabalhos sobre Lampião:
Lampião, Rei do Cangaço, de Eduardo Barbosa
Almas de Lama e Aço, de Gustavo Barroso
Bandoleiros das Caatingas, de Melchíades da Rocha
Lampião em Mossoró, de Raimundo Nonato
Na Terra de Lampião, de Alexandre Zabelê – O sanfoneiro, testemunha viva da história de Lampião.
Lampião, de Ranulfo Prata
Heróis e Bandidos, de Gustavo Barroso
Lampião, de Optato Gueirós – Major da polícia pernambucana e ex-comandante das Volantes – Também testemunha viva. 
De Virgolino a Lampião - de Vera Ferreira filha de expedita neta de Lampião e Maria bonita. E Antonio Amaury considerado o maior pesquisador do cangaço no Brasil.


Essa foto mostra como o desejo de salvar ou defender sua gente é capaz de fazer enormes façanhas. Um grupo de homens se reúne para defender a cidade de Mossoró que seria invadida por Lampião.
Corisco e Dadá que foi raptada por ele ainda na adolescência a força a Historia diz que o seu desfloramento foi tão violento que ela quase morre de hemorragia  
O capitão Virgulino fazendo uma leitura. Foto Benjamin Abrahão, 1936.
O repórter Benjamin Abrahão,fazendo algumas anotações fornecidas pelo Capitão Virgulino Ferreira.
Simulação  combate. Foto Benjamin Abrahão, 1936.
No dia 27 de julho de 1938, o bando acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. A volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Por volta das 5:15 do dia 28, os cangaceiros levantaram para rezar o oficio e se preparavam para tomar café; quando um cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais.

RESUMO DA OBRA 
Traído pelo coiteiro ele nunca imaginara que, naquele lugar na grota de angico que para ele era segura, lugar que para Corisco era uma arapuca que inclusive já tinha alertado o Lampião sobre o perigo de se acampar no angico, onde mais tarde  o bando foi pego totalmente desprevenido. Quando os policiais do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa.
O ataque durou uns vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos trinta e quatro cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita foi gravemente ferida sendo decapitada ainda viva. Alguns cangaceiros, transtornados pela morte inesperada do seu líder, conseguiram escapar. Bastante eufóricos com a vitória, os policiais apreenderam os bens e mutilaram os mortos. Apreenderam todo o dinheiro, o ouro e as joias que segundo alguns era uma quantia alta.
A força volante, de maneira bastante desumana para os dias de hoje, mas seguindo o costume da época, decepou a cabeça de Lampião. Maria Bonita ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando foi degolada. O mesmo ocorreu com Quinta-Feira, Mergulhão (os dois também tiveram suas cabeças arrancadas em vida), Luis Pedro, Elétrico, Enedina, Moeda, Alecrim, Colchete e Macela. Um dos policiais, demonstrando ódio a Lampião, desfere um golpe de coronha de fuzil na sua cabeça, deformando-a; este detalhe contribuiu para difundir a lenda de que Lampião não havia sido morto, e escapara da emboscada, tal foi a modificação causada na fisionomia do cangaceiro.
Feito isso, salgaram as cabeças e as colocaram em latas de querosene, contendo aguardente e cal. Os corpos mutilados e ensanguentados foram deixados a céu aberto, atraindo urubus. Para evitar a disseminação de doenças, dias depois foi colocada creolina sobre os corpos. Como alguns urubus morreram intoxicados por creolina, este fato ajudou a difundir a crença de que eles haviam sido envenenados antes do ataque, com alimentos entregues pelo coiteiro traidor.
Percorrendo os estados nordestinos, o coronel João Bezerra exibia as cabeças - já em adiantado estado de decomposição - por onde passava, atraindo uma multidão de pessoas. Primeiro, os troféus estiveram em Piranhas, onde foram arrumadas cuidadosamente na escadaria da igreja, junto com armas e apetrechos dos cangaceiros, e fotografadas. Depois, foram levadas a Maceió e ao sudeste do Brasil.
No IML de Aracaju, as cabeças foram observadas pelo médico Dr. Carlos Menezes. Depois de medidas, pesadas e examinadas, os criminalistas mudaram a teoria de que um homem bom não viraria um cangaceiro, e que este deveria ter características sui generis. Ao contrário do que pensavam, as cabeças não apresentaram qualquer sinal de degenerescência física, anomalias ou displasias, tendo sido classificados, pura e simplesmente, como normais.
Do sudeste do País, apesar do péssimo estado de conservação, as cabeças seguiram para Salvador, onde permaneceram por seis anos na Faculdade de Odontologia da UFBA. Lá, tornaram a ser medidas, pesadas e estudadas, na tentativa de se descobrir alguma patologia. Posteriormente, os restos mortais ficaram expostos no Museu Antropológico Estácio de Lima localizado no prédio do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, em Salvador, por mais de três décadas.
Durante muito tempo, as famílias de Lampião, Corisco e Maria Bonita lutaram para dar um enterro digno a seus parentes. O economista Silvio Bulhões, filho de Corisco e Dadá, em especial, empreendeu muitos esforços para dar um sepultamento aos restos mortais dos cangaceiros e parar, de vez por todas, a macabra exibição pública. Segundo o depoimento do economista, dez dias após o enterro de seu pai, a sepultura foi violada, o corpo foi exumado, e sua cabeça e braço esquerdo foram cortados e colocados em exposição no Museu Nina Rodrigues.
O enterro dos restos mortais dos cangaceiros só ocorreu depois do Projeto de Lei nº 2.867, de 24 de maio de 1965. Tal projeto teve origem nos meios universitários de Brasília (em particular, nas conferências do poeta Euclides Formiga), e as pressões do povo brasileiro e do Clero o reforçaram. As cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas no dia 6 de fevereiro de 1969. Os demais integrantes do bando tiveram seu enterro uma semana depois.

Fotos de Benjamim Abrahão raríssimas de Virgulino com um dos seus  irmão   

Verdade que liberta agradece ao querido Jorge Ferreira por postar essas e outras belas fotos do cangaço, muito provavelmente algumas  dessas fotos  foram reproduzidas a partir da película das imagens feitas pelo pro pio Benjamin Abrahão, em 1936.


Um comentário:

  1. Lampião morreu envenenado?
    Por José Bezerra Lima Irmão

    Existem três versões sobre o que aconteceu em Angico na madrugada de 28 de julho de 1938.

    A primeira, e também a mais divulgada, é a versão da polícia, e portanto a versão “oficial”, dando conta de que Lampião teria sido “surpreendido” enquanto dormia na Grota do Angico.

    A segunda versão é de que Lampião morreu envenenado.

    A terceira é de que Lampião fugiu vivinho da silva, pois tudo o que houve em Angico foi uma farsa, e Virgulino escapou, indo morar em Goiás e depois em Minas Gerais.

    Tudo isso é analisado nos mínimos detalhes no livro Lampião – a Raposa das Caatingas, das páginas 561 a 644. Portanto, mais de 80 páginas abordam esse tema.

    Num capítulo intitulado “O Armagedon na caatinga”, o leitor conhecerá o ambiente no coito nos dias que precederam o ataque da volante, em especial os fatos do dia anterior; o movimento dos coiteiros; os procedimentos da polícia, desde os preparativos da véspera até o cerco e o tiroteio.

    Outro capítulo descreve o que aconteceu com as cabeças dos cangaceiros mortos.

    Outro dá conta do inventário dos objetos encontrados com os corpos.

    Um extenso capítulo analisa a versão do envenenamento, envolvendo o relato acerca dos urubus mortos por terem comido as vísceras dos cadáveres; a denúncia da imprensa da época; os depoimentos de cangaceiros sobreviventes; as revelações dos soldados integrantes da volante; a eliminação de testemunhas (“queima de arquivos”); a opinião dos pesquisadores.

    O livro analisa em detalhes a versão do tenente João Bezerra.

    Por fim, há um extenso capítulo em que é abordada a tese da fuga de Lampião para Goiás e depois para Minas Gerais, onde morreu de velho.

    Se essas coisas não têm importância para você, então tome uma cerveja, deite numa rede e tire uma soneca.

    Mas se você se interessa pelas coisas do cangaço, vale a pena esmiuçar os mistérios acerca do que de fato aconteceu na Grota do Angico.

    Dediquei 11 anos de pesquisa para escrever esse livro. Ele contêm mapas dos locais dos fatos e fotos de muitos dos personagens citados.

    Sua leitura leva o leitor a conhecer as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste.

    O livro destaca os principais precursores de Lampião: Cabeleira, Lucas da Feira, Sereno, Cirino Guabiraba, Quirino, Inocêncio Vermelho, João Calangro, Viriato, Jesuíno Brilhante, Antônio Silvino, Zezinho dos Laços, Manezinho da Barra das Almas e Manoel Monte.

    Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

    Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

    Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.

    josebezerra@terra.combr

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